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terça-feira, 1 de abril de 2014

Nota Pública - 50 anos depois do golpe: um pedido de perdão

50 anos depois do golpe
Aliança de Batistas do Brasil – Um pedido de perdão

A Aliança de Batistas do Brasil, instituição batista de caráter ecumênico, vem a público 50 anos depois do golpe civil-militar no Brasil, para pedir perdão pela conivência, omissão e participação que muitas igrejas e lideranças batistas tiveram durante o período da ditadura militar e civil do Brasil. A omissão, conivência e delação assumida pela maioria destas igrejas no período da ditadura foi um erro lamentável, porém o silencio e a ocultação histórica desse erro torna-lhe ainda mais pecaminoso e vergonhoso.

Mas, quero trazer à memória aquilo que me traz esperança. (Lamentações de Jeremias 3: 21)

No compromisso de fé e esperança queremos também trazer a memória aqueles e aquelas que não se dobraram no período da ditadura no Brasil, a exemplo da Igreja Batista Nazareth (Salvador – BA) que manteve uma postura de resistência, erguendo sua voz de denúncia profética durante o período da ditadura.  No testemunho desta comunidade incluímos todas as comunidades de fé que se mantiveram resistentes, dando testemunho do Evangelho nesse período tenebroso da história recente do nosso país.  E no testemunho histórico e profético dos pastores batistas Djalma Torres (Salvador - BA) e David Malta (Rio de Janeiro – RJ),  honramos todas as demais  lideranças batistas que não se calaram e enfrentaram corajosamente o regime que atentou contra as liberdades fundamentais do ser humano e do povo brasileiro. 

Por ação e omissão pecamos contra os princípios de amor, liberdade e justiça que são as marcas do Evangelho de Jesus Cristo, e por isso pedimos perdão.

Aliança de Batistas do Brasil
01 de Abril de 2014.


Odja Barros - Presidente

9 comentários:

  1. Grandeza de atitude! Eu mesmo conheci pastores, hoje, até já falecidos, (poucos, importante dizer; é uma injustiça generalizar), que delataram membros de suas igrejas e os relegaram, lamentavelmente, aos porões do DOPS. Eu teria grande alegria se, esta denominação cristã que eu respeito, (uma das poucas que ainda faz jus ao rótulo "evangélico", historicamente ligada à reforma protestante, e com uma matiz das mais "limpas" com relação à prática comunitária democrática e administração financeira, (cada membro tem o mesmo poder de "voto" que os líderes e tudo é decidido nas assembleias onde as finanças são administradas com transparência), assumisse "ações proféticas" assim, num país com uma sociedade cada vez mais doente.

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  2. Não tenho muito a dizer a não ser parabéns, que grandeza de espírito.
    Assumir o erro passado é olhar para o futuro com mais experiência e foco.

    feliz por ter igrejas assim ainda.

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  3. É assim que se faz, e vamos enfrente, parabéns pelo gesto de humildade e reflexão!

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  4. Em 1963, duzentos pastores batistas publicaram um Manifesto sobre a situação do país, com um viés progressista. A declaração acima segue a linha daquelas lideranças, certamente perseguidas nos anos seguintes. Parabéns á ABB.

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  5. Pois é, alguém tem que lamentar o fato que há, atualmente, uma gritante omissão à conivência do governo brasileiro em relação à regimes totalitários como de Cuba, Venezuela, e assim por diante. Por que não se abre a boca contra essas ditaduras? Por que a Aliança se cala?
    Sei que o regime militar cometeu erros, mas pergunto se não seria pior se tivessem deixado o comunismo dominar?

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    1. Já está mais do que comprovado de que não havia ameaça comunista. Se você ainda acredita nisso, podia pesquisar um pouco mais. E não há violência menos pior. Violência é violência: tortura, assassinatos são crimes hediondos venham de onde vierem. Nem precisaria ser cristão para compreender isso.

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    2. Houve 2 momentos na ditadura. O início, praticamente apenas com prisões. O segundo, uma guerra armada entre o governo e a guerrilha comunista treinada em Cuba, etc., com lamentáveis e inevitáveis atrocidades de ambos os lados. Felizmente para os sobreviventes e para a Igreja de Cristo os comunistas perderam. Já o manifesto acima, além de não representar os batistas brasileiros, não passa de um oportunista documento politicamente correto de quem procura se aparecer.

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  6. Não é só pedir perdão, tem que investir nas investigações deste passado e revelar ao público através de exposições, qual foi o papel e a extensão desta colaboração que levou tanta gente a ser torturada, morta e desaparecida. Parabéns pelo início de mea culpa, mas tem que ir além, ou será uma mea culpa que não ajudará a esclarecer a verdade. Não se dá perdão coletivo a quem não manifesta a sua culpa e participação.

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  7. Não é igualmente pecado de omissão calar ante os desmandos da ditadura cubana e venezuelana?

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