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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Fundadores da Pastoral da Negritude da Igreja Batista do Pinheiro são vítimas do Racismo de policiais alagoanos

A professora universitária Franqueline Terto dos Santos e o esposo, o administrador Benedito Jorge Silva Filho, alagoanos e negros ativistas de movimentos pela promoção da igualdade racial, junto com a entidade nacional Agentes de Pastoral Negros acusam um grupo de policiais militares de Alagoas de racismo e abuso de autoridade, após terem sido vítimas de uma abordagem truculenta na tarde do último domingo, na Praça Lions, na Pajuçara, em Maceió.
O casal formalizou o Boletim de Ocorrência na Central de Flagrantes na noite do dia dos pais após ter sido algemado e agredido moralmente por policiais da Radiopatrulha. Segundo Benedito, a polícia havia agredido um jovem usuário de drogas naquela praça e três turistas, amigos do casal, teriam filmado toda a ação. Incomodados, os policiais ordenaram aos turistas que apagassem o vídeo, o que não aconteceu.
“Os turistas vieram de Pernambuco, estavam hospedados na nossa casa. Um deles é professor universitário, assim como a minha esposa, e veio a convite da Ufal para orientar um curso. Por volta das 16h30 do domingo marcamos de buscá-los na Praça Lions e, quando chegamos, a confusão já estava feita”, explicou o administrador.
No intuito de apaziguar a situação, a professora universitária teria chegado ao local na tentativa de um diálogo e evitar maiores problemas, mas não foi o que aconteceu. A assistente social Franqueline dos Santos tentou o diálogo, mas acabou ouvindo grosserias, além de ter sido empurrada por um dos policiais.
“Começou com o dedo indicador a gesticular no rosto da minha esposa e um empurrão que deram nela. Ela é membro Conselho Regional do Serviço Social, não é nenhuma vagabunda pra eles a tratarem daquela forma! Depois, quando eu cheguei perto, pediram pra eu sair, mas eu disse que não podia sair porque estava ao lado da minha esposa. Eles disseram que eu tinha três segundos, como eu não saí, mandaram me algemar. Fomos algemados como bandidos dentro de uma viatura. Eles só nos soltaram depois que negociaram com nossos amigos para apagar o vídeo da câmera”, disse Benedito.
Ativistas pela causa dos negros, a professora e o esposo afirmam que foram vítimas de racismo e que tiveram os direitos de cidadãos violados pelos policiais porque apesar de não terem sido os responsáveis pelo vídeo, acabaram sendo os únicos a serem algemados - mesmo sem apresentarem resistência.
“Primeiro tenho o sentimento de que tive meus direitos de cidadão violados, e depois o sentimento de impotência. De sentir na pele o que os nossos jovens negros sentem na periferia no seu cotidiano. Quando a gente chegou, o caso já estava feito, mas a polícia só algemou a nós, que éramos os únicos negros”, explicou Benedito.
“Olhe que nós somos pessoas esclarecidas e estávamos bem vestidos, num local público e bem frequentado. Não estávamos com o estereótipo de malandro e eles [a polícia] fizeram isso com a gente. Imagino como eles fazem na periferia quando abordam um jovem negro”, analisou. “E ainda disseram que era um procedimento padrão”, ironizou.
Do Tribuna Hoje.
Nota: A professora Franqueline Terto dos Santos e o esposo, o administrador Benedito Jorge Silva Filho, são uns dos fundadores da  Pastoral da Negritude da Igreja Batista do Pinheiro são  pessoas comprometidas em despertar a comunidade evangélica para uma consciência negra, resgatando a presença e a cultura africana na historia bíblica, construindo para a inclusão social dos(as) afros descendentes, lutando contra a discriminação racial, preconceitos, xenofobia e intolerância correlata.

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